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domingo, novembro 18, 2007

Como achei excelente a matéria no Viomundo
vou publicá-la aqui, sem pedir permissão é claro! E também para tentar do marasmo instaurado neste blog. Abraços:)


É o gás, estúpido: Isso aqui você NUNCA vai ler, ver ou ouvir na mídia brasileira





Um leitor reclama que sou contra Chávez e a favor dos colonizadores. Não é bem assim. Acho que o Chávez fala mais do que deveria. Poderia fazer tudo o que faz sem dar à mídia internacional, que quer a cabeça dele, a chance de isolá-lo.

Lula vai visitar Fidel Castro na semana que vem. Seria bom que pedisse ao mentor de Chávez que aconselhasse o venezuelano a "baixar" a bola. Isso não se faz em público. Deve ser feito na quietude, na maciota, na linguagem cifrada tão cara à diplomacia brasileira, que é boa de bola.

Outra amiga, ítalo-brasileira, me liga para saber se estou com Zapatero - o primeiro-ministro do Partido Socialista espanhol - ou com Chávez. O debate entre eles, no encerramento da Cúpula Iberoamericana, esquentou o sangue de Vossa Majestade, que saiu apontando o dedo e dando ordens ao súdito.

Zapatero-Chávez é a falsa polêmica. Zapatero fez média com o antecessor, de quem vem apanhando feio através da mídia espanhola, que é francamente (sem trocadilho) favorável ao Partido Popular, de José Maria Aznar. Zapatero defendeu o adversário político, que Chávez chamou de fascista, para dar satisfação aos espanhóis, para "defender a honra" espanhola.

Aznar, se vocês não sabem, é muito bem articulado. Com a Coroa espanhola, com a Igreja Católica, com George Bush, com Fernando Henrique Cardoso. O Partido Popular, que ele dirige, tem um discurso velado para não ofender a sensibilidade dos eleitores centristas da Espanha. Mas, trocando em miúdos, está na onda européia do momento: xenofobia, defesa do catolicismo e do Ocidente contra o Oriente dos "bárbaros" muçulmanos, chineses e assim por diante.

Se vocês fizerem uma necropsia nos discursos de Aznar, vão descobrir traços comuns com os de vários partidos do mundo, inclusive com uma facção do PSDB brasileiro, a de Geraldo Alckmin. Ou com o discurso do Jornal da Globo. Ou com o que a TV Globo prega, o que é sinistro para uma emissora que fala a tantos mestiços, negros e pobres. É tradição, família e propriedade. É nós contra eles. No Brasil, nós do asfalto contra "eles" do morro; nós do Sul Maravilha contra "eles", que sustentam o governo em troca de esmola; nós, educados em Yale, contra "eles", a mestiçagem que sobe pelo elevador de serviço e dorme no quarto de empregada. Quando alguém aponta para esse discurso que, francamente (sem trocadilho) tem tons racistas e integralistas, eles se defendem dizendo que tem gente incitando à LUTA DE CLASSES.

Hoje as pessoas que procuram fontes de informação fora do Brasil sabem que a grande mídia brasileira omite, deturpa e manipula as informações sobre a Venezuela. Descaradamente. É como se estivesse em campanha eleitoral. Qual é o sentido disso, se os brasileiros não vão votar no plebiscito de 2 de dezembro, na Venezuela? O povo não é bobo, nem a Rede Globo. O objetivo concreto é evitar a entrada da Venezuela no Mercosul.

Quem não quer a Venezuela no Mercosul? Os Estados Unidos, com certeza. As empresas representadas por Aznar também não. Eles são idiotas? Não. Pensam lá na frente. A Venezuela no Mercosul fortalece as posições do bloco nas negociações econômicas com a União Européia e os Estados Unidos. Abre de novo a porta para a ALCA, ou pelo menos para um acordo comercial americano com o Brasil se o PSDB reassumir o poder em 2010.

Se eles estivessem MESMO preocupados com a democracia, estariam fazendo discursos no Congresso, publicando capas de revista e pedindo a cabeça TAMBÉM do ditador paquistanês Pervez Musharraf, que prendeu advogados, oposicionistas e colocou uma aliada americana em prisão domiciliar. O ditador Musharraf é chamado de presidente. Não tem campanha na mídia contra ele. Nem contra os reis "democratas" da Arábia Saudita. Eles são NOSSOS, entenderam?

Esse pessoal pensa longe. A turma que governou com Bush começou a "tramar" lá atrás. Ainda no governo Clinton já tinha escrito e divulgado um documento batizado de "Projeto para Um Século Americano", que prega a hegemonia americana em terra, no mar, no ar e no espaço. Assinaram o documento muitos daqueles que assumiram o poder com Bush, inclusive o ex-secretário de defesa Donald Rumsfeld.

Antes da ocupação do Iraque, lembrem-se que Rumsfeld foi porta-voz da divisão da Europa entre "velha Europa" (a que não apoiou a ocupação americana) e a "nova Europa" (Espanha, então governada por Aznar, Portugal, Polônia e outros países do leste europeu que trocaram apoio à guerra por proteção americana contra os russos e vantagens comerciais).

Quem mandou tropas para o Iraque, depois da tremenda pressão exercida pelos Estados Unidos em todo o mundo, para formar aquela coalizão meia boca? Tony Blair e José Maria Aznar.

Os europeus, em geral, não caíram naquele engodo de Europa velha vs. Europa nova, porque torpedeava a União Européia e enfraquecia o poder de barganha dela diante dos Estados Unidos.

Muitos dos brasileiros estão caindo no engodo do discurso que divide os líderes da América Latina entre "mocinhos" e "bandidos", um discurso formulado no Departamento de Estado do governo Bush. É o dividir para governar, em versão recauchutada, que abastece a artilharia da máquina de propaganda. "Época" e "Veja" dedicaram capa ao Chávez uma em seguida à outra, às vésperas da Cúpula Iberoamericana. Não acho que tenha sido por acaso. O objetivo é causar constrangimento, afastar Lula cada vez mais de Chávez e bombardear a entrada da Venezuela no Mercosul.

O que os americanos tentaram com a Europa - e não deu certo - agora patrocinam na América Latina, desta vez com apoio da turma do Aznar, de facções do PSDB e de oligarcas brasileiros. Será que são doidos? Não, ninguém dá tiro no pé. Grupos espanhóis têm grandes interesses econômicos na região, em parceria com grupos locais. Os americanos querem o petróleo da Venezuela, do Equador e o gás boliviano.

Que americanos? As grandes companhias de petróleo, que a dupla Bush-Cheney representa na Casa Branca. Essas empresas têm trilhões de dólares investidos em infraestrutura. Os Estados Unidos importam petróleo e gás. Tornam-se cada vez mais reféns do fornecimento externo. Gastam mais, por ano, do que é descoberto. E as novas descobertas acontecem em regiões que eles (ainda) não controlam politicamente.

O que representa Hugo Chávez? Um Mussolini mameluco, como definiu o Estadão? Isso é propaganda, gente. Chávez tem falado em uma OPEP do gás, que juntaria a Venezuela, a Bolívia, o Irã e quem sabe a Rússia. Essa OPEP do gás controlaria mais da metade da produção de gás do planeta. Chávez e Morales não querem entregar os recursos de seus países de graça.

O gás ganha importância na matriz energética americana. Olhem o mapa dos terminais de reconversão de gás liquefeito para produzir energia. Não estamos falando de meia dúzia de lâmpadas. É energia essencial para a indústria americana:


Olhem aí a origem do gás importado pelos Estados Unidos:



Pensem comigo: as gigantes do petróleo vão descartar a infraestrutura de trilhões de dólares que levou um século para ser construidá, da noite para o dia? Não. Vão brigar pelas gotas de petróleo e pelo direito de explorar, do jeito mais lucrativo para elas, as reservas de gás estejam onde estiverem. Ninguém menos que o vice-presidente americano Dick Cheney foi à China fazer lobby pela ExxonMobil na disputa para fornecer gás aos chineses, num negócio que envolvia o Qatar, protetorado americano no Golfo Pérsico.

Os Estados Unidos estão no Iraque para promover a democracia? Tenham dó. Os americanos queimam 15 mil litros de gasolina POR SEGUNDO e agora controlam território onde existem grandes reservas de petróleo, que praticamente brota da terra, levíssimo, de custo de refino baixíssimo em relação, por exemplo, ao da Venezuela. Na "big picture", para os financiadores de Bush, o que representam 5 mil soldados mortos?

As empresas de petróleo passaram a investir cada vez mais em gás, que antes era praticamente descartado por causa da dificuldade de lidar com o produto e da falta de tecnologia para transportá-lo e transformá-lo. Essas empresas não existem no mundo da fantasia, nem em teorias conspiratórias. Elas são grandes. Elas tem acionistas. Elas bancam termelétricas que queimam gás. Elas querem lucrar. Os executivos delas existem fisicamente. Eles contratam lobistas. Eles são representados em governos. Eles olham para o mundo e não gostam do que enxergam no futuro: precisam de acesso ao petróleo e gás, mas ele é propriedade estatal no Oriente Médio e, pior ainda, nas proximidades do maior e mais lucrativo mercado de energia do mundo, os Estados Unidos: Bolívia, Venezuela e Equador, os dois últimos integrantes da OPEP.

O gás da Venezuela é o mais próximo do mercado americano. É liqüefeito e transportado em navios-tanque para os Estados Unidos, para ser reprocessado. Antes de queimar biomassa ou biocombustível, anotem aí, teremos o auge do gás, para produção de eletricidade. Ou vocês acham que os americanos vão apagar as luzes, como os brasileiros fizeram, para economizar?

Qual era o plano do antecessor de Evo Morales, Sanchez de Lozada, que foi eleito na Bolívia com apoio de marqueteiros americanos e agora está exilado nos Estados Unidos? Fazer um acordo com o Chile, inimigo histórico dos bolivianos - por ter tomado o acesso da Bolívia ao mar - e exportar gás para os Estados Unidos, em navios-tanque. Essa idéia inflamou tanto os nacionalistas que o apóstolo do neoliberalismo foi expulso da Bolívia. O governo Morales pediu aos Estados Unidos a extradição de Lozada, por conta da repressão aos protestos que resultaram na morte de dezenas de pessoas. Pergunto: vocês acreditam que Washington vai entregar o "parceiro"? Depende da recompensa.

Olhem agora os mapas: o gás da Bolívia abasteceria a costa Oeste dos Estados Unidos. E o gás da Venezuela já abastece parte da costa Leste dos Estados Unidos.





Ou seja, enquanto a mídia brasileira fica discutindo as picuinhas, informando a você que agora tem um toque de celular com o rei da Espanha mandando Chávez calar a boca, não te conta o essencial, não te diz nada sobre os verdadeiros motivos da disputa. Poderia até tomar partido, como faz. Mas se você fosse informado dos grandes interesses econômicos que se movem nos bastidores, iria compreender que, ao Brasil, interessa ter a Venezuela no Mercosul, até porque amarra Chávez a tratados regionais. Ele poderá espernear à vontade, mas terá que decidir em grupo.

Porém, a eficaz máquina dos Mesquita, dos Civita, dos Frias e dos Marinho está a serviço das grandes empresas, sejam elas espanholas ou americanas. Notem que os sobrenomes dos controladores da grande mídia brasileira não são de mamelucos, nem de cafuzos. Quando eles precisam de algum mameluco, negro, cafuzo ou árabe, eles alugam, desde que repita o discurso da superioridade da turma que habita o topo do PIB brasileiro, que por acaso é branca e veio da Europa. Se não veio, vive mentalmente lá ou em Miami.

Não é mentira do Chávez, quando ele diz que há um grupo de ex-presidentes no circuito internacional de palestras repetindo a mesma ladainha: além de Aznar, o peruano Alejando Toledo, o mexicano Vicente Fox e o brasileiro Fernando Henrique Cardoso, cada um usando seus próprios argumentos.

Eu lhes pergunto: se o Hugo Chávez fosse presidente do Paraguai, alguém se importaria com ele? Quanto o Paraguai produz de petróleo e gás? Eu juro por Deus que este gráfico, da produção de petróleo do Paraguai, foi tirado do Livro da Central de Inteligência Americana sobre fatos do mundo, o "CIA World Factbook". Reflete, em milhares de barris por ano, a produção paraguaia de petróleo, de 1980 a 2004: ZERO.



Publicado em 14 de novembro de 2007



Olhaí a juventude fascista, que está em ascensão na Europa e em processo de formação no Brasil. Os que aparecem na foto são italianos, da torcida do Roma. Na TV Viomundo, muitos deles deixam mensagens: olhem lá. A estirpe é a mesma dos jovens de classe média do Rio que bateram na mulher negra achando que ela era prostituta. Esse desprezo pelo diferente e pelo que consideram "pior" aprenderam em casa, lendo revistas semanais, assistindo a certos telejornais... Quando eles saírem batendo em jornalistas, a quem acusam de "comunistas, viados e maconheiros", não digam que não avisei.

Acrescentado em 14 de novembro de 2007


Como é véspera de feriadão, divirtam-se com o mapa de 1945. Procurem ali, à esquerda, para encontrar quantos países já foram colonizados pelo Brasil, pela Venezuela e pela Bolívia.

Quantos países a Venezuela invadiu?

Quantos países os Estados Unidos já invadiram SÓ na América Latina, ANTES MESMO DA EXISTÊNCIA DA AMEAÇA COMUNISTA? México, Nicarágua, Haiti, Cuba, sem falar no estímulo para a "independência" do Panamá, com o objetivo de construir o canal. E, mais recentemente, voltaram ao Panamá. O general Noriega, ex-informante da CIA, também era comunista comedor de criancinhas?

O ruim não é ter sido colonizado. É CONTINUAR com a cabeça de colonizado mais de 500 anos depois.

Acrescentado em 14 de novembro de 2007

sexta-feira, novembro 16, 2007

A ocupação na UFBA terminou assim: